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terça-feira, 4 de agosto de 2015

O MÉDICO E O MONSTRO


"Ele me deformou toda", diz mais uma vítima de erro médico em cirurgia plástica no Rio
Dona de casa pagou R$ 4.000 por cirurgia e teve o corpo mutilado por cirurgião


Rio de Janeiro
30/7/2015

Mais uma vítima de um cirurgião plástico que prometia a mulheres o corpo perfeito quebrou o silêncio. Segundo a dona de casa, que preferiu não se identificar, ela pagou R$ 4.000 pela cirurgia e há 12 anos vive com esse sofrimento de ter tido o corpo mutilado pelo médico.

— Eu não posso pôr uma roupa apertada, não posso pôr um vestido, uma calça justa. Eu não posso porque fica aparecendo um buraco na minha barriga.

De acordo com a vítima, ela conheceu o médico José Vieira Junior ao ver um comercial na televisão, em 2003. A mulher foi a uma consulta, conversou com ele e decidiu fazer uma lipoaspiração e uma abdominoplastia.

— Ao invés de pagar para ficar bem, eu paguei para ficar pior.

A mulher contou que, quando acordou da cirurgia, tinha muito sangue espalhado na maca.

— Eu acordei com aquilo gelado nas costas, mas ele falou que era normal pós-cirurgia.

Ainda segundo a vítima, ela recebeu alta no dia seguinte à operação. O ponto arrebentou e ela contraiu uma grave infecção que afetou os pulmões.

— Fiquei quase um ano deitada sem conseguir fazer nada sozinha, nem mesmo comer ou tomar banho, na recuperação da infecção.

Devido a inúmeros problemas pós-cirúrgicos, a vítima resolveu levar o caso à Justiça. O processo durou seis anos e ela venceu a ação. O juiz determinou que o cirurgião a indenizasse em R$ 30 mil, mas, até hoje, quatro anos depois, ela não recebeu nada.

O médico que operou a mulher nunca compareceu à delegacia para prestar esclarecimentos, mas, mesmo assim, foi indiciado por lesão corporal. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o médico não é filiado ao órgão. O Conselho Regional de Medicina do Rio confirmou que o cadastro do médico está ativo, mas não comenta denúncias que ainda não foram julgadas.

De acordo com o Ministério Público, outras três denúncias estão sendo investigadas. Procurado pela Rede Record, o médico não quis falar sobre as denúncias.

Outras vítimas

Uma mulher de 30 anos viu o sonho de ter o corpo perfeito se transformar em pesadelo. A paciente contou que também foi vítima do cirurgião plástico. A jovem colocou uma prótese de silicone nos seios. Segundo ela, o médico sequer deu anestesia antes do procedimento.

— Ele me deu dois comprimidos, botou um pano verde na minha frente e começou a dar várias agulhadas no meu peito e eu comecei a gritar de dor. Ele falou que já estava acabando e a enfermeira também

Após a cirurgia, a situação só piorou. Com medo, a dona de casa procurou o médico. Ele aplicou uma medicação e a mandou voltar para casa. Desconfiada, a paciente foi ao pronto-socorro. Na unidade, a mulher fez um exame e descobriu que a prótese tinha rompido.

A mulher de Gilson de Lima viveu drama parecido. Melina Pereira também procurou o cirurgião para colocar prótese nos glúteos. Ela pagou R$ 7.000 pelo serviço. A vítima teve trombose em razão de complicações da cirurgia e morreu seis meses depois. Gilson contou que a mulher já sentiu dores após o procedimento.

— Ele nem deu atenção. Ele disse que ia ver outra pessoa em Alcântara. Eu que dei assistência. O médico que tirou a prótese se apavorou. Estava tudo errado.

http://r7.com/jYYb

segunda-feira, 29 de junho de 2015

MORTE APÓS CIRURGIA

Polícia apura suposto erro médico em morte após cirurgia de tireoide
Hospital de Jundiaí (SP) também abriu sindicância para investigar o caso.
Família registrou ocorrência após divergência nos laudos do hospital e IML.

10/06/2015

A diarista Rosalva Gomes Rodrigues, de 53 anos, morreu após cirurgia de tireoide em Jundiaí (Foto: Arquivo pessoal)

A Polícia Civil abriu inquérito nesta semana para investigar a morte de uma mulher depois de uma cirurgia para retirada da tireoide – importante glândula que produz diversos hormônios no corpo humano – em um hospital de Jundiaí (SP). A família da diarista Rosalva Gomes Rodrigues, de 53 anos, registrou o boletim de ocorrência após as necropsias feitas pelo Hospital São Vicente de Paulo, onde a cirurgia foi realizada, e o Instituto Médico Legal (IML) apontarem causas diferentes para a morte. Em nota, o hospital afirma que também abriu sindicância para apurar o caso.

Segundo o delegado titular do 1º Distrito Policial, Paulo Sérgio Martins, a investigação vai apurar se houve erro médico por parte da equipe que realizou o procedimento. "No momento não existem provas suficientes para caracterizar um homicídio. Vamos apurar a eventualidade do erro médico e, se isso ocorreu, quem ocasionou a morte", explica.

Rosalva deu entrada para fazer a cirurgia no dia 1º de junho e morreu no dia seguinte. O laudo elaborado pelo hospital aponta que a diarista teve uma parada cardíaca após um laringoespasmo, um tipo de inflamação nos músculos na região da laringe que teria ocorrido enquanto ela estava no centro em que os pacientes ficam após a cirurgia. Entretanto, a necropsia do IML constatou que o óbito teria sido causado por hemorragia pós-cirurgia e choque hipovolêmico – caracterizado pela perda de grandes quantidades de sangue e líquidos causados devido a hemorragias.

Martins explica que, caso seja caracterizado o crime, o responsável poderá responder por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. "Em casos de erro médico, este crime é cometido devido a imperícia do profissional no ato da cirurgia. Pode ser um cirurgião que fez um procedimento que causou uma hemorragia, uma enfermeira que deu alguma medicação errada, etc. São várias possibilidades. Vamos entender em que momento houve o possível erro para individualizar a culpa."
Ficamos assustados e revoltados porque minha mãe morreu em uma cirurgia muito simples"
Bruno Rodrigues Reis, filho de Rosalva

Ainda de acordo com o delegado, tanto a equipe médica quanto os familiares foram intimados para comparecer na delegacia e prestar depoimentos. Eles devem ser ouvidos até o começo da próxima semana. A polícia também solicitou detalhes do laudo do Instituto Médico Legal. O inquérito deve ser concluído em 30 dias.

Revolta
A morte repentina da diarista causou revolta na família, que não acredita no laudo entregue pelo hospital. “Ficamos assustados e revoltados, porque minha mãe morreu em uma cirurgia muito simples”, diz o filho da diarista, Bruno Rodrigues Reis, em entrevista.

De acordo com ele, Rosalva não tinha problemas de saúde e passaria pela cirurgia para retirar um nódulo. “O nódulo era benigno, mas os médicos recomendam que ele seja retirado para evitar uma possibilidade de câncer. Como ela tinha hipotireoidismo, iria viver com reposição hormonal após a retirada da tireoide”, explica.

A cirurgia teve duração de aproximadamente três horas. Segundo Reis, por volta das 9h os atendentes informaram que a paciente desceria para a unidade de pós-operatório quando os efeitos dos anestésicos terminassem. Às 20h, Rosalva saiu do centro cirúrgico entubada, procedimento que auxilia a respiração do paciente.

Neste momento, a família alega não ter recebido informações sobre as circunstâncias da cirurgia, apenas teriam sido informados que ela estava entubada devido ao laringoespasmo. “Só na tarde do outro dia conversamos com o médico plantonista. Ele me certificou que minha mãe não tinha tido hemorragias, que era a minha grande preocupação, e disse que a cirurgia tinha sido ‘ótima’.”

No começo da noite, a família recebeu uma ligação do hospital e, após chegarem na unidade, os parentes da paciente foram informados sobre a morte da diarista. O médico plantonista afirmou que Rosalva teria sofrido uma parada cardíaca após outro laringoespamo quando ela estava sendo desentubada. "Eu pesquisei sobre o assunto antes de ir para o hospital e vi que a chance de o laringoespamo ser fatal é maior geralmente em crianças, devido ao tamanho da região da laringe ser menor. Por isso duvidei do médico e pedi que um novo laudo no IML", diz o filho da diarista.

Após receber o laudo do instituto apontando como causa da morte hemorragia pós-cirurgia e choque hipovolêmico, Reis decidiu registrar o boletim de ocorrência para que a polícia investigue o caso. "Parecia que tinha alguma coisa estanha, pelas respostas que os médicos davam. Se eu não tivesse solicitado autopsia, jamais saberíamos disso", diz.

Em nota, a diretoria do Hospital São Vicente de Paulo afirma que abriu sindicância para apurar a reclamação referente ao atendimento de Rosalva. "Esta medida foi tomada após publicação do boletim de ocorrência feito pela família e, caso seja necessário, a diretoria tomará medidas administrativas contra os envolvidos", conclui.
Necropsias realizadas pelo IML (esq) e Hospital São Vicente de Paulo apontam causas diferentes para a morte da diarista Rosalva (Foto: Arquivo pessoal / Bruno Rodrigues Reis)